quinta-feira, 21 de julho de 2011

QUESTÕES DE CONCURSOS - LDB


1) A LDBEN 9.394/96, no Art. 1º, diz que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Essa Lei, especificamente, disciplina a educação escolar desenvolvida, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. Nesse sentido, a educação escolar busca realizar dois propósitos básicos que são:

a) ensinar os alunos a ler e escrever, preparando-os para desenvolver atividades de partilha da cultura comum ocidental.
b) ajudar os jovens a se prepararem para o exercício de uma profissão em sua vida adulta e integrá-los na sociedade, como cidadãos e membros de uma cultura comum.
c) preparar o cidadão para uma sociedade democrática e conscientizá-lo de seu papel de cidadão.
d) formar os jovens para atividades profissionais e dar-lhes condições de empregabilidade.

2) Segundo a LDBEN 9.394/96, cabe à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.
Considerando a legislação, é função do governo federal:

I. estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum;
II. elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios;
III. elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
IV. organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados.

São CORRETOS apenas os itens:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) III e IV.
3) O sistema federal de ensino compreende:
a) as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal; as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada.
b) as instituições de ensino mantidas pela União; as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada; os órgãos federais de educação.
c) as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal; as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada; os órgãos municipais de educação.
d) as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal; as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal.

4) De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN 9.394/96), são critérios da verificação do rendimento escolar:
I. avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
II. obrigatoriedade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar e possibilidade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;
III. possibilidade de avanço nos cursos e nas séries, mediante verificação do aprendizado e aproveitamento de estudos concluídos com êxito.


A opção CORRETA é:
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas os itens I e II estão corretos.
c) Apenas os itens I e III estão corretos.
d) Apenas os itens II e III estão corretos.
5) Mário Henrique, 16 anos, aluno da rede estadual de ensino, com excelente aproveitamento na 2ª série do Ensino Médio, pretende prestar vestibular no final do ano. Como ainda não concluiu o Ensino Médio, resolveu, aconselhado por seus amigos, fazer os exames da EJA. Mário Henrique pode concluir o Ensino Médio até o final do ano, fazendo os exames da Educação de Jovens e Adultos?
a) Não, porque Mário Henrique já completou 16 anos e está para concluir o Ensino Médio.
b) Não, porque, para concluir o Ensino Médio através de exames pela modalidade de educação de jovens e adultos, é necessário ter 18 anos completos.
c) Sim, porque Mário Henrique, embora tenha 16 anos, comprova ter excelente aproveitamento no Ensino Médio.
d) Sim, pois, para concluir o Ensino Médio através de exames pela modalidade de educação de jovens e adultos, é necessário ter 15 anos completos.

6) Do que trata o artigo 26-A, inserido na Lei de Diretrizes e Bases- LDB nº. 9.394, através da lei 10.639 de 09 de janeiro de 2003 e alterado pela redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008:
a) Atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino; pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço à tolerância.
b) Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
c) Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as condições materiais do estabelecimento.
d) Oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso.
e) Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas.

7) No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar, EXCETO:
A) é dever do Estado, direito da criança, opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil;
B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura, justiça social, nos direitos humanos, sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil.
C) quanto ao funcionamento, as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil.
D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade, observando suas especificidades, as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar.

8) De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases- LDB nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a educação escolar compõe-se de:
a) Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.
b) Infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior.
c) Educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação profissional.
d) Educação fundamental, educação média, educação superior.
e) Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; educação superior.

9) Conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), na Educação Infantil a
avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro:
A) Com aprovação e/ou reprovação para acesso ao Ensino Fundamental.
B) Promovendo ou reprovando a criança se o Regimento da Instituição de Educação Infantil determinar.
C) Reprovando a criança se seu desempenho for considerado insatisfatório.
D) Sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental.


10)  Conforme o que estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), a educação escolar deverá vincular-se:
A) À vida familiar e aos movimentos sociais.
B) À organização da sociedade e as manifestações culturais.
C) Às instituições de ensino e a organização da sociedade.
D) Ao mundo do trabalho e a prática social.

11) Ao tratar da Educação Profissional Técnica de Nível Médio, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n.º 9.394/96 dispõe que:
A) Ela deve ser desenvolvida apenas em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio.
B) Os diplomas de curso de educação profissional técnica de nível médio estão dispensados de registro, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.
C) É vedada a expedição de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão de etapas em cursos de educação profissional técnica de nível médio.
D) A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional.

12) A valorização dos docentes é destacada no artigo 67 da LBD, assegurando, entre outras determinações para o sistema de ensino, que seja instituída a seguinte medida:
A) Salário-educação.
B) Piso salarial profissional.
C) Curso de educação à distância.
D) Incentivo ao estágio remunerado.

13) É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente, EXCETO:
a) oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador.
b) ensino educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.
c) acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.
d) ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria e progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.

14) Leia a informação:
A educação possibilita ao indivíduo jovem e adulto retomar seu potencial, desenvolver suas habilidades, confirmar competências adquiridas na educação extraescolar e na própria vida, com vistas a um nível técnico e profissional mais qualificado. Também é oferecido pelos sistemas de ensino cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando assim progressivamente os estudos em caráter regular.
A educação de Jovens e Adultos representa uma possibilidade que pode contribuir para efetivar um caminho e desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Planejar esse processo é uma grande responsabilidade social e educacional, cabendo ao professor no seu papel de mediar o conhecimento, ter uma base sólida de formação.
A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto consequência do exercício da cidadania como condição para uma plena participação na sociedade. Além do mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à cultura de paz baseada na justiça.(Declaração de Hamburgo sobre a EJA).
O principal objetivo da Educação de Jovens e Adultos é: de auxiliar cada indivíduo a tornar-se tudo aquilo que ele tem capacidade para ser. Durante vários anos foram desenvolvidos projetos para a alfabetização de Jovens e adultos, destaca-se,  portanto, alguns deles: O Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização, de 1967-1985; fundação Educar, de 1986-1990 e o Programa Brasil Alfabetizado, de 2003 até o momento atual.
Na Constituição Federal de 1988 e a LDB, confere aos municípios a responsabilidade do Ensino Fundamental, e estabelece que aos sistemas de ensino cabe assegurar gratuitamente aos jovens e adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, considerando as características do aluno, seus interesses, condições de vida e de trabalho. Também cabe a esses sistemas de ensino, viabilizar e estimular o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre os diversos setores das esferas públicas.
Com base na LDB/96, a educação de jovens e adultos será ofertada:
I no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos.
II no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.
III no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de dezoito anos.
IV no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de vinte e um anos.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) Somente as proposições I e II estão corretas.
b) Somente as proposições II e III estão corretas.
c) Somente as proposições I e III estão corretas.
d) Somente as proposições I e IV estão corretas.

15) A LDB determinou em 2007 a inclusão obrigatória, no Currículo do Ensino Fundamental, de conteúdos que tratem dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo ECA como diretriz. A partir da afirmativa acima podemos dizer, EXCETO
A) A partir dos debates sobre ECA, o pensamento crítico ganhou espaço nas aulas.
B) A capacitação é necessária para que o corpo docente conheça melhor o ECA e possa desenvolver formas de inseri-lo no currículo.
C) Uma das formas de estudar os principais artigos do ECA é tratá-los de forma transversal em disciplinas como Português, Arte ou Educação Física.
D) Não há necessidade de inserir no projeto político-pedagógico da escola a inclusão de estudos sobre ECA.

16) Ao trabalhar com a questão curricular, no momento do planejamento participativo em sua escola, a supervisora
Joana lembrou a todos a necessidade de se consultar à atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – a Lei nº. 9394/96 - para poder nortear os discursos da reunião.
Após a distribuição da folha xerografada do Art. 26º., da LDB/96, ela pediu que as pessoas presentes o lessem, destacando o cerne do que competia aos currículos do ensino fundamental e médio. Ressaltaram que deveriam assegurar uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, bem como por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Quanto à parte diversificada do currículo, viram que o § 5º. afirma a necessidade de ser incluído, obrigatoriamente, a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da...
A) da secretaria da escola, conforme a sua disponibilidade e interesse.
B) das parcerias que a escola puder fazer com os cursos de língua estrangeira.
C) das secretarias estaduais, através de suas normas e recomendações.
D) das disposições das secretarias municipais e dos níveis intermediários.
E) comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição

17) Analise a seguinte proposição: De acordo com a LDB n. 9.394/96, a verificação do rendimento escolar deve observar
I. a avaliação contínua do desempenho do aluno;
II. a possibilidade de aceleração de estudos;
III. a obrigatoriedade de estudos de recuperação.
A análise permite concluir que
A) está correto apenas o item I.
B) está correto apenas o item III.
C) estão corretos apenas os itens I e III.
D) estão corretos todos os itens.

18) São alguns princípios estabelecidos pela LDBEN 9394/96 Art. 3º, EXCETO:
A) Ora a existência de instituições públicas e ora a de instituições privadas.
B) Respeito à liberdade e apreço a tolerância.
C) Valorização do profissional da educação escolar.
D) Garantia de padrão de qualidade.
E) Valorização da experiência extraescolar.

19) “Do direito à Educação e do dever de educar”, o Art. 4º da LDBEN, em um de seus incisos afirma:
A) Haverá oferta de ensino noturno regular, adequado às condições de trabalho dos docentes.
B) Haverá atendimento em creches e pré-escolas, às crianças gratuitamente.
C) Progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade somente ao Ensino Fundamental.
D) Padrões mínimos de quantidade de ensino.
E) Padrões excessivos de qualidade e quantidade de ensino.

20) Com base na LDBEN, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº. 9394/96, analise:
( ) A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.
( ) A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
( ) Os municípios poderão optar, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de Educação Básica.
( ) Os sistemas municipais de ensino compreendem: as instituições do Ensino Fundamental, Médio e de Educação Infantil, criadas e mantidas pelo poder público municipal; as instituições de Educação Infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada e os órgãos municipais da educação.
( ) Os currículos do Ensino Fundamental e Médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
( ) Na Educação Infantil, a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, com o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental.

A sequência está correta em:
A) V, F, F, V, F, F                              D) V, V, V, V, V, F
B) V, F, V, F, V, F                              E) F, V, V, V, V, V
C) V, V, V, F, V, V



GABARITO:



1 – B
2 – B
3 – B
4 – C
5 – B
6 – B
7 – B
8 –E
9 – D
10 – D
11 – D
12 – B
13 - B
14 - A
15 - D
16 - E
17 - D
18 – A
19 – B
20 - D


sexta-feira, 15 de julho de 2011

ESCOLA E CONHECIMENTO: uma relação em crise

Por Ednéia Angélica Gomes

Se é certo que crianças e jovens brasileiros encontram, atualmente, mais facilidades para concluir o ensino fundamental e médio, é também verdade que esse tempo maior de escolarização não tem garantido a ampliação das suas aprendizagens. Assim, um dos aspectos mais evidentes da atual crise da educação escolar brasileira é a dificuldade da maioria dos estudantes no desenvolvimento de habilidades básicas como leitura escrita e cálculo.
Tal evidência é em parte camuflada pelos baixos números da reprovação escolar apresentados nos últimos anos e pelas avaliações sistêmicas que “maquiam” os índices, apresentando um crescimento, ainda que modesto, do Brasil nos rankings mundiais. Entretanto, não é preciso ser especialista, basta ter um filho matriculado numa escola pública, para perceber a gradual decadência da escola brasileira no que concerne às aprendizagens fundamentais.
Como em toda crise, não existe apenas um, mas, em conjunto, diversos fatores interferem na configuração do problema. Entre esses fatores podemos citar a falta de interesse político na melhoria efetiva da qualidade da educação e a desvalorização profissional do docente. Entretanto, a meu ver, mais importante por relacionar-se com uma série de outros aspectos da crise, está o crescente processo de esvaziamento do conhecimento escolar. Esse processo encontra as suas bases na ideia de que o conhecimento deve ter uma utilidade imediata, deve servir para o sujeito realizar algo no mundo, agora. Tal perspectiva, além de ser cara a uma organização social baseada na produção e no consumo que necessita de força de trabalho acrítica para perpetuar-se, encontra sustentação em diversos aspectos da pedagogia moderna.
Num texto de 1957, Hannah Arendt já denunciava três ideias-base que, segundo a autora, desencadearam medidas catastróficas que precipitaram a educação americana numa grande crise. Por incrível que pareça, essas ideias continuam influenciando as metodologias e o currículo da educação brasileira.
A primeira ideia “é a de que existe um mundo da criança e uma sociedade formada pelas crianças, que estas são seres autônomos e, na medida do possível se devem deixar governar por si próprias.” (ARENDT, 1957) Segundo essa visão, a infância é a fase da espontaneidade, do prazer e, portanto, qualquer cobrança por disciplina, esforço e continuidade é vista como uma agressão. Dessa forma, a autoridade, a experiência e os conhecimentos dos adultos são anulados. A escola tem que se adaptar ao mundo infantil disfarçando os conhecimentos escolares em jogos, em que a brincadeira e o barulho substituem o silêncio e a concentração necessários à aprendizagem. Por outro lado, a ideia de que as aprendizagens devem partir dos interesses das crianças institui objetos de conhecimento que só são válidos para a infância. Ora, se a educação é exatamente uma forma de mediar o contato da criança com o mundo, como ela pode ser possível se educamos a criança num mundo fictício, apartado do nosso?
A segunda tem a ver com o fato de a pedagogia ter se tornado “uma ciência do ensino em geral ao ponto de se desligar completamente da matéria a ensinar.” (ARENDT, 1957) A pedagogia moderna está muito mais voltada para os processos de aprendizagem do que para os conhecimentos. Assim, o melhor professor não é aquele que possui maiores conhecimentos sobre a sua disciplina, mas sim aquele que entende os processos pelos quais o aprendizado se dá. O conteúdo mesmo dessa aprendizagem foi banalizado e resulta que muitas vezes o professor conhece muito pouco daquilo que ensina.
A terceira ideia “é a de que não se pode saber e compreender senão aquilo que se faz por si próprio.” (ARENDT, 1957) Na prática substitui-se o aprender pelo fazer. Assim, o saber transforma-se em saber-fazer e os estudantes aprendem a confeitar um bolo, reformar um brinquedo, fazer um vídeo, a se virar no mundo das coisas práticas, entretanto, são afastados do pensamento reflexivo e não dão conta de uma análise mais sistemática da realidade da qual fazem parte.
Essas ideias direcionaram os currículos brasileiros para o cotidiano dos alunos, suas vivências práticas, seus tempos de vida, seus processos de socialização. E, apesar de, em alguns aspectos, as propostas curriculares sugerirem a extrapolação desse cotidiano com conhecimentos que ampliem o universo conceitual dos alunos para além do local e do imediato, a precariedade das condições de trabalho do professor, o excesso de tarefas, a violência e a indisciplina enfrentados na maior parte das escolas, aliados a uma formação insuficiente e à falta de tempo para estudo e preparação das aulas, fez com que, na prática, matérias relacionadas ao rigor do pensamento, à realidade física e social, imprescindíveis para uma compreensão mais ampla do mundo fossem negligenciadas.
Dois outros fatores têm contribuído para uma desvalorização crescente dos conhecimentos escolares e dos professores, diante da sociedade como um todo. Um deles é a superexposição dos jovens à informação. Ora, se o mais importante é saber-fazer algo que interessa e agora, a televisão e a internet estão muito mais bem preparadas que a escola para essa tarefa. O outro diz respeito à utilização da escola como objeto de políticas públicas eleitoreiras. Cada vez mais as funções da escola estão sendo transformadas e serviços típicos da assistência social como programas de saúde, alimentação, lazer, esporte e cultura, têm ocupado os espaços escolares. Sem menosprezar a importância de tais programas, acredito que a especificidade da escola enquanto instância de difusão de conhecimentos está sendo relegada a um segundo plano.
Diante desse quadro, a grande parcela de jovens que depende das instituições de ensino público para aprender a ler, escrever e calcular é privada desses conhecimentos. O que faz com que a educação escolar continue a perpetuar as desigualdades, malgrado todo o discurso oficial que insiste em apresentá-la como fator de equidade social. O pragmatismo e o imediatismo que substituem o pensamento crítico produzem trabalhadores moldados para o mercado ao mesmo tempo em que impedem que a perversidade da estrutura social e política do país seja revelada.

terça-feira, 8 de março de 2011

QUESTÕES SOBRE A PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

1.       (FUNDEP – PEDAGOGO Contagem/2006) São princípios da educação libertadora (Paulo Freire) EXCETO:
a)      Acreditar na igualdade fundamental entre os seres humanos, independentemente de quaisquer diferenças.
b)      Buscar a transformação social, constituindo-se como meio de contribuir para a justiça social e para a participação.
c)       Conceber a participação como um processo que favoreça cada vez mais a centralização das decisões tendo em vista a unidade institucional.
d)      Organizar-se como um processo em que as pessoas sejam sujeitos de sua própria formação.

2.       (FUMARC - PROFESSOR GOV.VALADARES/2009) “Não há docência sem discência”. Em seu texto, Freire (2000) discute a importância de uma reflexão envolvendo a formação docente e a prática educativo-crítica em favor da autonomia dos educandos.
Avalie as afirmativas abaixo:

        I.            A temática abordada incorpora a análise de saberes fundamentais, apresentando elementos constitutivos para a compreensão da prática docente enquanto dimensão social da formação humana.
      II.            A tarefa do educador não se resume apenas em ensinar os conteúdos, mas ensinar a pensar certo, exigindo rigorosidade metódica. Ensinar, aprender e pesquisar envolvem dois momentos do ciclo gnosiológico.
    III.            O ato de ensinar exige a corporeificação das palavras através do exemplo. Uma vez que, não há pensar certo fora de uma prática testemunhal que o re-diz em lugar de desdizê-lo.
    IV.            Na formação permanente dos professores, ensinar exige reflexão crítica a respeito da prática, é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
Verifica-se que estão CORRETAS as afirmativas:
a)      Apenas I, II e III
b)      Apenas I, III e IV
c)       Apenas I, II e IV
d)      I, II, III, IV

3.       (FUMARC - PROFESSOR GOV.VALADARES/2009) Leia atentamente o trecho extraído do livro “Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa”:
O ato de cozinhar, por exemplo, supõe alguns saberes concernentes ao uso do fogão, como acendê-lo, como equilibrar para mais, para menos, a chama, como lidar com certos riscos mesmo remotos de incêndio, como harmonizar os diferentes temperos numa síntese gostosa e atraente. A prática de cozinhar vai preparando o novato, ratificando alguns daqueles saberes, retificando outros, e vai possibilitando que ele vire cozinheiro. A prática de velejar coloca a necessidade de saberes fundantes, como o do domínio do barco, das partes que o compõem e da função de cada uma delas, como o conhecimento dos ventos, de sua força, de sua direção, os ventos e as velas, a posição das velas, o papel do motor e da combinação entre motor e velas. Na prática de velejar se confirmam, se modificam ou se ampliam esses saberes.
FREIRE, 2000, P. 23 e 24
O texto acima permite analisar que:
a)      Ensinar é um processo que pode tornar o aprendiz mais e mais criador. Quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, mais se constrói e se desenvolve o que pode ser chamado de “curiosidade epistemológica.
b)      Existe uma relação entre o ato de ensinar e a prática de cozinhar, mostrando que o professor precisa diversificar sua prática, promovendo atividades fora do ambiente escolar.
c)       Na prática pedagógica, é importante estabelecer atividades que relacionem com o cotidiano dos alunos, utilizando receitas familiares e atraentes.
d)      Com o objetivo de criar “espaços inovadores”, cabe aos professores utilizarem com frequência todo o espaço escolar.

4.       Segundo Paulo Freire ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade. Assim o clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente deve contribuir para:

A) reforçar o autoritarismo na escola pública.
B) reforçar o medo que os pais tem dos professores e os conduz a afastar-se da escola.
C) os alunos reagirem negativamente ao exercício do comando.
D) fortalecer o caráter formador do espaço pedagógico.
E) estabelecer na escola o mandonismo que tolhe a criatividade do educando.

5.       A escola X vem trabalhando na construção coletiva do PPP escolar que tem como base a Pedagogia da Autonomia. Um dos pontos elencados e operacionalizados pelo grupo foi a formação continuada dos docentes, partindo do entendimento de ser essa a forma de favorecer:

A) uma prática pedagógica neutra que reflete positivamente no meio social.
B) o desenvolvimento de experiências que só servem para cada profissional do ensino.
C) o desenvolvimento de atividades pragmáticas que centram o ensino em atividades descontextualizadas.
D) visões distorcidas do mundo do trabalho.
E) novas formas de ordenação da experiência humana, com múltiplos reflexos positivos na cognição dos estudantes.

6.       Os pedagogos e demais profissionais e pessoas que circulam na escola pública devem considerar, segundo Paulo Freire, a importância das relações entre educador e educando, entre autoridade e liberdade, entre pais, mães, filhos e filhas o que contribui para a:

A) reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia.
B) elaboração do calendário escolar que marca as lições de vida e deve inibir as liberdades dos alunos na avaliação da escola.
C) elaboração de um regimento escolar apenas por quem entende de legislação de ensino.
D) elaboração das diretrizes escolares por pessoas que detém o saber pedagógico e encontram-se fora de sala de aula.
E) produção de documentos e registros escolares exclusivamente pelos pedagogos.

7.       De acordo com a Pedagogia defendida por Paulo Freire, a autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É nesse sentido que os pedagogos devem estimular reflexões centradas em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, o que pressupõe:
A) experiências respeitosas da liberdade.
B) o receio às críticas mesmo construtivas.
C) a espera para saber onde as pessoas podem ir e em seguida mostrar o caminho certo.
D) a licenciosidade que hipertrofia a decisão coletiva.
E) o espontaneísmo.

8.       A pedagoga Cláudia respalda a sua prática na Pedagogia da Autonomia coordena o planejamento escolar lembrando a necessidade de elevar os índices de aprendizagem do/as alunos/as e a importância das ferramentas básicas para que eles/elas circulem na sociedade letrada. Reconhece a importância dos saberes e dos conhecimentos de experiência que chegam à escola. Nesse sentido o saber ingênuo deve ser:

A) preservado.
B) considerado como produto final do ensino e aprendizagem escolar.
C) superado pelo saber produzido através do exercício da curiosidade epistemológica.
D) considerado como ponto de partida e de chegada na aprendizagem assistemática escolar.
E) motivo de exclusão no processo de ensinar e aprender.

9.       O pedagogo Joaquim dá testemunho de respeito ao seu aluno pelo exercício cotidiano de responsabilidade, pontualidade, assiduidade e cumprimento dos seus deveres como educador. Segundo Paulo Freire as características dessa prática pedagógica docente especificamente humana é:

A) incoerente pela realidade educacional e antiética.
B) profundamente formadora, por isso, ética.
C) esteticamente assistemática.
D) espontânea e assistencialista.
E) assistemática e escapa ao juízo que dele fazem os alunos.

10.   Segundo Paulo Freire os homens e mulheres são os únicos seres que socialmente são capazes de aprender.
Assim toda prática educativa demanda processos interativos que favorecem:

A) a constatação que para mudar, é necessário práticas assistemáticas.
B) o espírito negativo e o fechamento ao risco.
C) a construção, reconstrução, a constatação que para mudar é necessário abertura ao risco.
D) o nível de adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas.
E) a construção dos saberes do senso comum e a constatação que para mudar é necessário apenas do mérito individual.





Leia o texto abaixo para responder às questões 11, 12 e 13

A questão da formação docente, ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressista em favor da autonomia do ser dos educadores, é a temática central em torno da qual gira este texto. É também temática a que se incorpora a análise de saberes fundamentais àquela prática e aos quais espero que o leitor crítico acrescente alguns que me tenham escapado ou cuja importância não tenha percebido.
Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 13 (com adaptações).

11.   De acordo com o pensamento predominante no texto, o ato de ensinar exige

I rigorosidade metódica, pesquisa e criticidade.
II respeito aos saberes dos educandos, estética e ética.
III corporeificação das palavras pelo exemplo.
IV risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.

A quantidade de itens certos é igual a
A 1.
B 2.
C 3.
D 4.

12.   Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou sua própria construção, o que exige que o professor pense certo. Com relação aos pressupostos filosóficos subjacentes a essa afirmativa e ao texto, assinale a opção correta.

A) Pensar certo é uma postura exigente, difícil e penosa que o professor tem de assumir diante dos outros e com os outros, em face do mundo e dos fatos.
B) Pensar certo é ter a certeza de que todas as ações humanas estão predeterminadas pelo destino, que a interferência do indivíduo pouco mudará a realidade.
C) Pensar certo é agir com espontaneidade, a ponto de todas as ações serem pautadas pelo espontaneísmo.
D) Pensar certo é fácil, pouco exigente e complementa a atitude autoritária do professor, que cada vez menos necessita da rigorosidade metódica.

13.   A partir do saber fundamental “mudar é difícil, mas é possível” é que se deve programar a ação político-pedagógica. Com base nesse pressuposto e considerando, ainda, o texto de Paulo Freire, assinale a opção correta.
A) O educador deve assumir uma postura neutra diante do real, pois a função da educação é estudar e constatar a realidade, para compreendê-la e admirá-la como obra da construção humana.
B) O educador deve tomar consciência de que não é apenas objeto da história, mas também sujeito. No mundo da história, da cultura e da política, deve constatar a realidade não para se acomodar, mas para mudar.
C) Para que se possa transformar o mundo por meio da educação é preciso pregar a rebelião e instigar a revolta nas camadas populares, pelo fato de estas serem profundamente injustiçadas.
D) O educador deve respeitar o saber dos grupos com que trabalha. Porém, não pode permitir que estes predominem, por ter consciência de que aquilo que pensa, em face de sua formação, é melhor para o grupo.
GABARITO

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
C
D
A
D
E
A
A
C
B
C
D
A
B


QUESTÕES DE CONCURSOS CONSTANCE KAMII – A CRIANÇA E O NÚMERO

1)      Para a pesquisadora piagetiana Constance Kamii (1984:19), “número é uma síntese de dois tipos de relação que a criança elabora entre os objetos”. Os dois tipos de relação a que ela se refere são:
[A] ordem e inclusão hierárquica.
[B] ordem e seriação.
[C] classificação e seriação.
[D] classificação e inclusão hierárquica.

2)     Segundo Constance Kamii, os três princípios fundamentais no ensino do número são
A) a criação de todos os tipos de relações, a quantificação de objetos e a interação social.
B) a contagem, a quantificação de objetos e a classificação.
C) a interação social das crianças, a ordenação e a conservação de quantidades.
D) a quantificação de objetos, a interação entre os pares e o registro numérico.

3)     Piaget estabeleceu uma distinção fundamental entre três tipos de conhecimento: conhecimento físico, conhecimento lógico-matemático e conhecimento social ou convencional. Com relação a esses tipos de conhecimentos, assinale a opção correta.
A) O conhecimento físico refere-se ao processo de abstração.
B) A coordenação de relações de igualdade e de adição é irrelevante para o conhecimento lógico-matemático.
C) A fonte do conhecimento físico e do conhecimento social é parcialmente externa ao indivíduo.
D) A razão do conhecimento lógico-matemático restringe-se à realidade externa ao indivíduo.

4)     A partir da idéia de construção do número na perspectiva de Piaget, assinale a opção correta.
A) A teoria do número parte do pressuposto de que o conhecimento social dificulta a construção do conceito numérico.
B) As convenções construídas socialmente não influenciam o conhecimento numérico.
C) O professor deve ensinar diretamente à criança a estrutura lógico-matemática de número.
D) No processo de construção do número, o professor deve contribuir como agente de estímulo do desenvolvimento da estrutura mental da criança.

GABARITO

1
2
3
4
A
A
C
D